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12 passos

Seria uma coincidencia os 12 passos parecer com o auto conhecimento que a astrologia nos propõe? pode até ser, mas quando vemos que tem JUNG no meio disso da quase pra ter certeza que sim.

 primeira pessoa o a “pregar”, ou recomendar, uma recuperação individual, com base no auto conhecimento e espiritualidade (mudança interior), foi Carl Jung. No início dos anos 30 do século passado, um americano chamado Rowland, banqueiro e ex-senador, viajou para Zurique, na Suíça, para tratar do seu problema de alcoolismo com o famoso psiquiatra Carl Jung. Rowland recaiu algumas vezes e, após um ano de terapia, não apresentou nenhum progresso. Jung comunicou ao paciente que ele estava gastando dinheiro à toa e que não poderia ajudá-lo. Rowland perguntou se havia alguma esperança, se não havia nada que ele pudesse sugerir.

A resposta foi que a única coisa que poderia fazer seria procurar uma conversão, uma profunda mudança interior. Disse que ouvira relatos de pessoas que, após uma conversão religiosa, tinham parado de beber e que isso fazia sentido para ele. Prontamente Mr. Rowland juntou-se ao Oxford Group, um movimento evangélico de grande sucesso na Europa, movimento este que lhe deve ter sido familiar. Carl Gustav Jung foi um dos maiores estudiosos da vida interior e tomou a si mesmo como matéria prima de suas descobertas, em 1920, Jung apresentou os conceitos de introversão e extroversão na obra “tipos psicologicos”;e foi a partir dai que ele construiu  as bases da psicologia analitica, desenvolvendo a teoria dos arquétipos e incorporando conhecimentos das religiões orientais, da alquimia e da mitologia……….

CARTA DE BILL W. A CARL JUNG

Carta de Bill W. a Carl Jung
Aqui está um capitulo de vital importância na história dos inícios do A. A., primeiramente publicado na GRAPEVINE, em janeiro de 1963, sendo reeditado em janeiro de 1968 e em novembro de 1974.
CARTA DE BILL, W. Janeiro 23, 1961.
Meu Caro Dr. Jung,

Esta carta há muito lhe deveria ter sido enviada.

Devo primeiramente apresentar-me ao Senhor como Bill W. um dos co-fundadores das sociedades dos Alcoólicos Anônimos.

Embora seja provável que o Sr. Já tenha ouvido falar de nós, com certeza ignora que uma conversa que manteve com um de seus pacientes, Mr. Rowland, nos idos de 1930, tornou-se uma das regras fundamentais da nossa Sociedade.

Embora Mr. Rowland tenha nos deixados há muito tempo, o registro de sua inesquecível experiência, enquanto sob os seus cuidados, passou definitivamente para a nossa história e é a que passo a lhe relatar:

Tendo Mr. Rowland esgotado todos os recursos para livrar-se do alcoolismo, tornou-se em 1931 seu paciente, permanecendo em tratamento, se não me engano durante mais ou menos um ano; após este tempo deixou-o cheio de confiança e com a mais irrestrita admiração pelo Senhor. Contudo para a sua enorme consternação, retornou ao velho hábito.

Convencido de que o senhor era a sua “tábua de salvação”, voltou ao tratamento. O relato do diálogo entre ambos veio a torna-se o primeiro elo de uma corrente de acontecimentos, que terminaram por induzir a fundação de nossa Sociedade.

A minha lembrança deste relato do encontro entre ambos é que se segue: primeiramente disse-lhe o Senhor francamente que não via esperanças para ele em novos tratamentos, fossem eles médicos ou psiquiátricos.

Esta sua posição sincera e humilde foi, sem dúvida, a primeira pedra em que fundamentamos a nossa Sociedade.

Tal afirmação, vinda de quem ele tanto confiava e admirava produziu sobre ele o mais violento impacto.

Quanto ele lhe perguntou se então não haveria para ele alguma esperança, o Senhor lhe respondeu que poderia haver sim e que esta seria a de tornar-se o sujeito de uma genuína experiência espiritual ou religiosa – em resumo, de uma autêntica conversão. Tal experiência poderia motivá-lo mais que outra qualquer, disse-lhe o Senhor.

Mas preveniu-o de que conquanto tais experiências tivessem acontecido a alguns alcoólicos, elas eram comparativamente raras. E recomendou-lhe que se colocasse em uma atmosfera religiosa e que esperasse. Esta foi a substância do seu conselho.

Prontamente Mr. Rowland juntou-se ao Oxford Group, um movimento evangélico de grande sucesso na Europa, movimento este que lhe deve ter sido familiar.

Certamente o Senhor se lembrara da grande ênfase que davam aos princípios de autovigilância, da confissão, da reparação e da doação pessoal ao serviço dos outros.

Eles também praticavam a meditação e a prece intensivamente. E foi nesta prática que Mr. Rowland encontrou a experiência de conversão, que o libertou, finalmente, da compulsão de beber.

Voltando à Nova York tornou-se membro ativo do Oxford Group, entidade então conduzida pelo Dr. Samuel Shoemaker. Dr. Shoemaker havia sido um dos fundadores daquele movimento e a sua poderosa personalidade era carregada de imensa sinceridade e convicção.

Neste tempo (1932-34) o O. G. já havia recuperado um número de alcoólicos e Rowland, sentindo que poderia identificar-se com aqueles sofredores lançou-se, ele mesmo, no auxílio de outros.

Um desses eram um velho companheiro de colégio meu, chamado Edwin T. (Ebby). Ele havia sido tratado por outra instituição, mas Mr. H. e um outro ex-alcoólico do O. G. contataram-se com ele e convenceram a retornar à sobriedade.

Enquanto isto, eu percorria os caminhos do alcoolismo, tentando cura-me por mim mesmo.

Felizmente, acabei sendo cliente do Dr. William D. Silkworth, que era maravilhosamente capaz de entender os problemas alcoólicos. E assim como o Sr. resgatou Rowland, assim também ele me resgatou do álcool.

Sua teoria era a de que o alcoolismo tinha dois componentes: por um lado uma obsessão que compelia o sofredor a beber, contra seu desejo e, por outro lado, uma espécie de dificuldade metabólica que ele chamava de alergia.

A compulsão ao álcool garantia que o hábito de beber prosseguiria e a alergia fazia com que o sofredor entrasse em decadência, enlouquecesse ou morresse. Embora eu fosse um dos que havia julgado ser possível ajudar, acabou sendo obrigado a me confessar que já não via mais esperança para o meu caso.

Eu deveria considerar o meu tratamento encerrado. Para mim isto foi uma bofetada. Assim como Rowland foi preparado pelo Senhor para a sua experiência de conversão, meu maravilhoso amigo também me preparou para semelhante experiência ao dar-me tal terrível veredicto.

Ouvindo falar sobre a minha recaída, meu amigo Edwin T. veio ver-me em minha casa, onde eu estava bebendo. Era novembro de 1934 e já fazia muito tempo que eu registrara meu amigo Edwin como um caso incurável.

No entanto, ali estava ele, no mais evidente estado de sobriedade. Este estado de sobriedade certamente estava relacionado ao curto período em que ele esteve ligado ao Oxford Group e era naquele momento tão evidente, tão distinto de sua usual depressão que me foi tremendamente convincente. Por ser ele um irmão-sofredor comunicou-se comigo em tal profundidade que eu imediatamente senti que deveria buscar uma experiência igual a sua ou então morrer.

Voltei então aos cuidados do Dr. Silkworth; onde pude tornar-me novamente sóbrio, ganhando assim nova visão sobre a experiência da libertação do meu amigo e novo enfoque no caso de Howland H.

Livre mais uma vez do uso do álcool passei a me sentir terrivelmente deprimido, o que me pareceu ser devido a minha inabilidade de adquirir qualquer tipo de fé. Edwin T. visitou-me novamente nesse período, repetindo as mesmas fórmulas do tratamento do O. G. Quando ele me deixou, recaí na mais profunda depressão.

Desesperado, então gritei: – “Se existir um deus, que ele se mostre para mim”. Imediatamente, uma iluminação de enorme impacto e dimensão envolveu-me, uma coisa extraordinária que tentei descrever no meu livro Alcoholics Anonymous, bem como em “A.A. Come of Age”, textos básicos que lhe estou enviando agora.

Meu desligamento da obsessão pelo álcool foi imediato. Senti que me havia tornado um homem livre.

Logo em seguida a esta minha experiência recebi no hospital, das mãos de Edwin o livro de William James, “Varieties of Religious Experience”, livro este que veio me conscientizar que a maior parte das experiências religiosas, as mais variadas têm um denominador comum que é o colapso do ego, a sua queda no maior desespero. O inpíduo tem que se encontrar em uma situação extrema, frente a um dilema insolúvel.

No meu caso esta situação, este dilema insolúvel nasceu da minha compulsão à bebida e um profundo sentimento de desespero mais ainda tomou conta de mim quando o meu amigo alcoólico comunicou–me o seu veredicto de incurável, dado a Rowland H.

Durante a minha experiência religiosa tive a inspiração de uma sociedade de alcoólicos em que cada um se identificasse com o outro e lhe transmitisse a sua experiência, em uma espécie de cadeia.

Se cada sofredor tinha que dar a notícia do veredicto de incurável que a ciência médica conferia ao ingresso no tratamento, deveria também lhe colocar a possibilidade de uma abertura a uma experiência de transformação espiritual.

Este conceito provou ter sido a base de posteriores conquistas dos alcoólicos anônimos. Isto fez com que as experiências da conversão, quase tão múltiplas quanto as citadas por W. James se tornassem disponíveis em larga escala.

Nossos associados somavam no último quarto de século o número de 300.000. Na América e através de todo o mundo eles chegam a formar 8.000 grupos de A. A.

Assim sendo, nós do A. A. fomos extremamente beneficiados pelo Senhor, pelo Dr. Shoemaker do Oxford Group, por William James e pelo nosso amigo, o médico Dr. Silkworth.

Como vê o Senhor claramente agora, esta espantosa cadeia de acontecimentos realmente começou há muitos anos, na sala do seu consultório e foi desencadeada pela sua humildade e profunda percepção.

Muitos elementos do A. A. são estudiosos de sua obra. O Senhor endereçou-se especialmente em sua direção devido a sua convicção de que o homem é mais que o intelecto, as emoções e dois dólares de medicamentos.

Os panfletos e outros materiais que lhe envio mostrar-lhe-ão o quanto a nossa sociedade vem crescendo, desenvolvendo o seu espírito de unidade e como ela vem estruturando as suas bases.

O Senhor gostará provavelmente de saber que além da experiência espiritual, muitos A. A. vêm ingressando em outras experiências psíquicas, com considerável força cumulativa.

Outros membros, depois de recuperados nos A. A. têm sido muito ajudados pelos seus assistentes e alguns são estudiosos do I Ching e do admirável prefácio que o senhor fez para este livro.

Esteja certo de que como ninguém mais o senhor ocupa destacada posição no afeto e na história de nossa sociedade.

Muito grato ao Senhor,

William G. W.
________________________________________
RESPOSTA DE JUNG. Janeiro 30, 1961.
Caro Sr. W.,

A sua carta foi-me realmente bem-vinda.

Não tive mais notícias de Rowland H. e muitas vezes desejei conhecer o seu destino.

O diálogo que mantivemos, ele e eu, e que ele muito fielmente lhe transmitiu teve um aspecto que ele mesmo desconheceu.

A razão pela qual não pude dizer-lhe tudo foi que naquela época eu tinha que ser excessivamente cuidadoso com tudo o que dizia. Eu havia descoberto que estava sendo de todas as maneiras mal interpretado.

Portanto, tive que ser muito cuidadoso ao conversar com Rowland H. Mas o que eu realmente concluí sobre o seu caso foi o resultado das minhas inúmeras experiências com casos semelhantes ao dele.

A sua fixação pelo álcool era o equivalente, em nível mais baixo, da sede espiritual do nosso ser pela totalidade, expressa em linguagem medieval, pela união com Deus.

Como poderia alguém expor tal pensamento sem ser mal interpretado em nossos dias?

O único caminho correto e legítimo para tal experiência é que ela aconteça para você na realidade e ela só pode acontecer se você procurar um caminho que o leve a uma compreensão mais alta.

E você poderá ser conduzido a esta meta pela ação da graça, pela convivência pessoal honesta com os amigos ou através de uma educação mais alta da mente, para além dos limites do mero racionalismo.

Vi pela sua carta que Rowland H. escolheu a segunda opção que, nas suas circunstâncias era, sem dúvida, a melhor.

Estou firmemente convencido de que o princípio do mal prevalecente no mundo conduz as necessidades espirituais, quando negadas à perdição, se ele não for contrabalançado por uma experiência religiosa ou pelas barreiras protetoras da comunidade humana.

Um homem comum desligado dos planos superiores, isolado de sua comunidade, não pode resistir aos poderes do mal, muito propriamente chamados de demônio.

Mas o uso de tais palavras nos leva a tais enganos que temos que nos manter afastados delas, tanto quanto possível.

Eis as razões porque não pude dar a Rowland H. plena e suficiente explicação. Estou arriscando-me a dá-las a você por ter concluído pela sua carta decente e honesta, que você já adquiriu uma visão superior do problema do alcoolismo, bem acima dos lugares comuns que, via de regra, se ouvem sobre ele.

Veja você, “álcohol” em latim significa “espírito”, e você, no entanto, usa a mesma palavra tanto para designar a mais alta experiência religiosa como para designar o mais depravador dos venenos.

A receita então é “spiritus” contra “spiritum”.

Agradecemos você novamente por sua amável carta, eu me reafirmo.

Seu sinceramente,

C. G. Jung.
Carl Jung e sua perspectiva para o desenvolvimento dos Alcoólicos Anônimos

Escrito por Maria Stella Ferreira Cordovil Casotti *
10-Out-2009
O AA desde seu surgimento, em 1935, tem sido um baluarte na busca da recuperação da dependência química. Pode-se dizer que AA surgiu a partir da necessidade de se dialogar.

Foi através do diálogo que Bill Wilson – corretor da bolsa de valores de Nova Iorque – e Bob Smith – médico cirurgião de Ohio – ambos pertencentes ao estrato social da classe média alta, mas com uma vida fracassada pelo álcool, perceberam que ao conversar sobre as dificuldades em se abster do álcool, bem como as conseqüências nefastas resultantes do uso do álcool, lhes deixava mais aptos a manterem-se abstêmios.

Esse hábito de conversar foi o trampolim para eles fundarem o AA, grupo de auto-ajuda que tem como objetivo auxiliar as pessoas que sofrem de alcoolismo e/ou outras drogas a se recuperarem.
Talvez a premissa básica do AA seja a renovação do compromisso diário de evitar o “primeiro gole”.

Cada um busca se tornar líder, especialmente de si mesmo, mas, também dos outros, para, assim, se tornarem exemplos a serem seguidos. No AA existe coesão social, pois afeto, acolhimento, solidariedade, compartilhamento do que cada um possui do ponto de vista humano, há o senso do pertencimento e com isso são criados laços emocionais fortes especialmente entre os pares.

É através do diálogo que os membros de AA compartilham sentimentos, desejos, frustrações e experiências e são essas trocas que direcionam a caminhada para a manutenção da abstinência desses membros.

Os diálogos, as leituras e as trocas permitem ao dependente químico ter consciência de sua dependência e, ao mesmo tempo, se por perante o grupo como alguém que necessita de ajuda.

O AA busca um despertar no sentido de que os seus membros reflitam da seguinte forma: “Só eu posso me ajudar, mas preciso de ajuda”. Essa descoberta é bárbara, pois há uma perfeita inter-relação entre o individual e o coletivo.
E nessa busca de ajuda vale especialmente a ajuda de um Poder Superior. E é nesse contexto que se oportuniza, ou se possibilita mais o exercício da fé, pois os princípios do AA não se correlacionam por acaso. Eles têm uma seqüência lógica em cada “Passo”.

E os primeiros “Passos” explicitam a ação de um Poder Superior, o qual deve ser buscado na sua intensidade para a superação desse modus vivendi desequilibrado. Pesquisas recentes também têm revelado a importância da fé, da espiritualidade, como componentes básicos, necessários a qualquer ser humano, para se viver uma vida mais plena de significados.
E um dos grandes estudiosos da mente humana a apreender o significado da importância da religiosidade para a saúde psicológica foi Carl Jung. Para Jung, Deus e ser humano estão inter-relacionados, uma vez que todo ser humano tem algo de divino.
Segundo Jung toda pessoa tem dentro de si forças curativas, bastando para isso perceber os insights que lhe são oportunizados.

Para Jung, a perspectiva religiosa re-liga o homem a Deus, possibilitando assim, a cura e o equilíbrio da vida. Daí, a importância do ser humano, inclusive, limpar seu “arquivo mental” das mágoas, medos, ressentimentos, culpas.

De acordo com os preceitos do AA, o Poder Superior liberta da escravidão dos aspectos materiais, mentais e emocionais, tornando o ser humano, assim, senhor de si mesmo, capaz de realizar-se como pessoa humana.
A ênfase espiritual de Jung é contundente em sua carta a Bill W., co-fundador dos AA, como sendo a prática da espiritualidade, no seu sentido mais intenso e profundo possível, a última e única solução para que Holand H, que fôra seu paciente, solucionasse seu problema: se abster do alcoolismo.

Jung não só influenciou na conversão e cura de Holand H., como também do próprio Bill W. e outros, mas também na co-fundação do AA, em 1935. Bill W., na busca da libertação do álcool, estava na mais profunda depressão, sem o mínimo de fé, quando, no seu limite, clamou rogando que ‘Se existe um Deus, que se manifeste!’.

No mesmo instante, Bill W. foi libertado da obsessão alcoólica. Esse fato mostra que também na “situação-limite” há possibilidades de superação, a partir de uma profunda experiência espiritual, o que fora preconizado por Carl Jung.
Carl Jung teve um papel decisivo na criação da irmandade Alcoólicos Anônimos, especialmente sob a perspectiva espiritual. Foi muito importante, na verdade foi uma inovação a intervenção de Jung unindo ciência e espiritualidade para a resolução dos dramas existenciais humanos, pois para Jung, o ser humano é um ser físico, mas, também, metafísico, transcendental, espiritual.
O dependente químico é um ser humano, que, apesar da perda da autonomia e da liberdade pessoal, em maior ou menor grau, para conduzir sua vida agindo de forma construtiva, tem o livre-arbítrio como uma possibilidade de transformar o seu drama humano em um projeto concreto de vida pleno de significados e valores. Quando esse insith é percebido e vivenciado há um despertar para a vida no sentido global de sua saúde mental e da existência humana.
AA E CARL GUSTAV JUNG
“O VALOR DA VIDA”
To William Griffith Wilson
Alcoholics Anonymous
EUA
30.01.1961
Der Mr. Wilson,
Sua carta foi muito bem vinda. Nunca mais tive noticias de Roland H. e às vezes me pergunto como ele estaria passando. Minha conversa com ele, que corretamente lhe contou, teve um aspecto que ele não conhecia.

A razão foi que eu não podia dizer-lhe tudo. Naquele tempo eu tinha que ser extremamente cauteloso em tudo que dizia. Descobri que eu era mal interpretado em todos os sentidos.

Por isso fui muito cauteloso ao falar com Roland H. Mas o que realmente levei em consideração foi o resultado de muitas experiências com homens de seu tipo.
Sua ansiedade por álcool corresponde, num nível mais baixo, à sede espiritual do ser humano pela totalidade, expressa em linguagem medieval: a união com Deus.
Como formular semelhante entendimento numa linguagem que não fosse mal interpretada hoje?
O único caminho correto e legítimo para tal experiência é que ela nos acontece realmente, e só pode acontecer-nos quando caminhamos numa trilha que nos leva a uma compreensão mais elevada.

Podemos ser levados a este objetivo por um ato da graça e por meio de um contato pessoal e honesto com amigos ou através de uma educação superior da mente, além dos limites do mero racionalismo.

Vejo por sua carta que Roland H. escolheu o segundo caminho que foi, sob as devidas circunstâncias, obviamente o melhor.
Estou fortemente convencido de que o princípio do mal que prevalece neste mundo leva a necessidade espiritual não reconhecida à perdição, se não contar com a contra-reação de uma atitude verdadeiramente religiosa ou com a parede protetora da comunidade humana.

Uma pessoa comum, não protegida por uma ação do alto e isolada da sociedade, não pode resistir ao poder do mal, que é chamado apropriadamente de demônio. Mas o uso de tais palavras faz surgir tantos erros que é melhor manter-se longe delas ao máximo.
Eis as razões por que não pude dar a Roland H. a explicação cabal e suficiente. Mas ao senhor eu confio porque concluo de sua carta, muito decente e honesta, que o senhor formou uma opinião sobre os chavões errôneos que se ouvem sobre o alcoolismo.
Veja o senhor: álcool em latim é spiritus, a mesma palavra para a experiência religiosa mais elevada e também para o veneno mais prejudicial. A fórmula benéfica é pois: spiritus contra spiritum.
Agradeço novamente sua gentil carta.
I remain
Yours sincerel,
C. C. Jung
William Griffith Wilson, 1896-1971, foi um dos fundadores da associação, originalmente americana, e depois mundial, dos “alcoólicos anônimos” (AA). A fundação ocorreu em 1934. Sua carta a Jung (23.01.1961) e a resposta acima foram publicadas na revista mensal AA Grapevine. The International Monthly Journal of Alcoholics Anonymous, em janeiro de 1963 e novamente em janeiro de 1968. Em sua carta, Mr. Wilson mencionou o caso do alcoólico Roland H., que foi analisado por Jung e cuja cura contribuiu para a fundaçãoda associação: após tentativas frustradas de cura, a análise de um ano e levou uma cura momentânea.

Após um ano, Roland H. recaiu e procurou Jung de novo (1931). Este lhe explicou a inutilidade de um tratamento psiquiátrico no seu caso; somente uma experiência religiosa ou espiritual poderia livra-lo de sua situação desesperadora.

A observação de Jung, feita com cautela, revelou-se correta. Após uma “conversion experience” no seio da “Oxford Group” Roland H. ficou definitivamente curado. Através de um amigo comum curado da mesma maneira, o destinatário soube disso e teve ele mesmo uma experiência religiosa curadora bem como a visão de um grupo de alcoólicos que contavam suas experiências espirituais uns aos outros. Isto levou à fundação da “Society of Alcoholics Anonymous”. Depois da morte do destinatário descobriu-se o seu verdadeiro nome; Em vida era conhecido apenas como “Bill W.”.
Cartas. Volume III. Carl Gustav Jung. Ed. Vozes.

Os Doze Passos 

Os Doze Passos (para os Alcoólicos Anônimos) são:

  1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.(para enfrentar esse problema a pessoa precisa praticar o autoconhecimento, precisando entrar dentro desse problema, reconhece-lo, interiorizar e conseguir resolve-lo de dentro para fora).
  2. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.( apos o reconhecimento do problema a fé tem que ser maior do que o problema, dando força ao individuo de vencer a passos lentos  mas com muita firmeza caso contrario esse monstro volta mais forte causando mais danos).
  3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.(isso significa si iluminar passar para o plano superior si afastar do problema para enxerga-lo de forma mais clara e enxergar o que precisa ser feito para resolve-lo.
  4. você não vai conseguir resolver o problema no mesmo nivel de consciência em que o criou, si afastar meditar e assumir uma postura elevada te leva a encontrar a solução).
  5. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.(saber reconhecer nossas emoções estouradas que possam provocar, crueldades, birras, brigas, saber trabalhar esses sentimentos ter dominio sobre eles vencer todos obstaculos e problema com calma até porque tudo isso é lição para que possamos aprender a vencer nossos egoismos e impulsos).
  6. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.( entrar em contato com o divino,aprender a ouvir nossas intuições, escutar a voz interior).
  7. Prontificámo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de carácter.( auto conhecimento si perdoar e perdoar os outros nos limpando de toda raiva, angustia,tristeza, buscando um caminho de retidão, honestidade limpando toda podridão da alma através dessa força maior).

    8. Humildemente rogámos a Ele que nos livrasse das nossas imperfeições(.assumir atitudes pacifica e de reflexão usando forças contrarias a nosso favor, ter dominio e conseguir utilizar a força que esta vindo contra você  usado essa força a seu favor; controlar seus instinto e não mata-lo.
  8.  
  9. 9.Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e dispusemo-nos a reparar os danos a elas causados. (reconhecer o valor da responsabilidade e vencer toda arrogancia, sabendo que sempre temos algo para aprender e tudo que fazemos estamos atingindo nosso proximo)
  10.  Fizemos reparações directas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicar essas pessoas ou outras. (nunca agir na força  bruta, tendo responsabilidade em cada ato e  reconhecer a importancia de construir laços afetivos)

    10. Continuámos a fazer um inventário pessoal e quando estávamos errados admitimo-lo prontamente. ( trabalhar desapego, saber que para atravessar essa situção é necessario sacrificios e deixar para tras o que não é essencial  e verdadeiro).

    11. Procurámos, através da prece e da meditação, melhorar o nosso contacto consciente com Deus na forma em que O concebíamos, rogando apenas pelo conhecimento da Sua vontade em relação a nós e pelas forças para realizar essa vontade.(mergulhar dentro de si mesmo resgatando a centelha divina  que apesar de  estar aprisionada nas trevas sempre podera ser resgatada te ajudando a sair do buraco vencer as barreiras e si tornar um belo exemplo para outras pessoas que si encontram na mesma situação, você vai inspirar os outros a sair do buraco).

    12. Tendo experimentado um despertar espiritual graças a estes passos, procurámos transmitir esta mensagem a outros adictos e praticar estes princípios em todas as nossas actividades.( você  é fruto do sonho de DEUS).

Para maiores informações entrar no site: http://na.org.br/

 

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